Quando ouço sua voz e procuro por você, não é uma simples busca desenfreada por um amor. É mais, mais que um amor, talvez um dia você descubra que no primeiro miléssimo em que te vi, tive a certeza de que podia diferenciar o antes e o depois de você.
E cada vez que me lembro de como eu me encantei, uma nova esperança se abre e enche meu peito, mesmo sem porquê. Ainda tento explicar para as pessoas o que vi em ti e isso me enche de orgulho, pois mostra o quanto meus olhos podem ser as janelas da alma, pois a porta já sabia que era o meu coração.
E o abri desesperadamente ao te encontrar, pois meu pedido foi alcançado, maior desejo foi concretizado. Não era simples, não foi simples, eu busquei e busco a cada dia ver em teus olhos as respostas para as dúvidas que tanto tenho.
Sou oposta, digo que não te amo, digo que não te quero, não te tenho, com tudo, sei que faço e desfaço as formas mais intensas de te seduzir, instigar, investir, não aceito um não, não engulo abaixo sem justificativas, sem tentativas, sem amor. Eu te quis, te quero e por mais que isso possa parecer pedante, eu terei novamente.
Quero que me absorvas por necessidade, me mastigue com carinho e me engula aos poucos, como o mais desejado dos alimentos, o teu preferido, o que mais te dá prazer, que te deixa sem ação e sem forças. Ir degustando cada parte de mim como novo, sempre querer mais e vir atrás, buscar tuas forças, vontade de ter, por prazer. Não puro prazer, é puro, entretanto amor.
Por instantes me lembro da falta que me fazes, suas risadas intensas e verdadeiras ao meu lado, era tão voraz que se esvaiu em tão pouco tempo, com tudo logo lembro do meu amor, o amor-próprio e isso me serve de alento. Um peito apaixonado que lateja de desejo ardente por ti, se satisfaz de lembranças despedaçadas pelo caminho.
Se fico na saudade, sou engolida por ela e vou embora, esqueço tudo e vivo um sonho de que ainda estamos juntos. Atrás dos montes que são tantos, ainda encolhida fico eu, por dor e vontade de te ver, tento ser firme nessa decisão e fria nas minhas palavras contigo, somente você que não enxerga a verdade do meu músculo estriado cardíaco que vive por ti.
Não é por não ter forças, pelo contrário, apresento-me mais forte do que pensava só que o amor não tem saída, ainda não chegamos ao limite na nossa paixão e isso me alegra por ver que ainda tem muito por percorrer, porém entristece por notar que estás fechado dentro dessa tua casca dura e me impede de entrar ao me jogar de volta ao meu balde de frieza e intempestividade.
Está ainda que nós insistimos em não nos abdicar, fizemos um pacto e isso não deixarei se esvair como toda nossa relação, só pus uns pontos e vírgulas nele e através disso tentamos levar algo saudável. Pode parecer maldoso te coibir em certos assuntos, entretanto não quero precipitar mais lágrimas e deixá-las partir mais ainda meu corpo.
Só nos resta fingir uma amizade desinteressada de amor, talvez seja isso que nos sustenta, nos stalkeando por cada parte e descobrir que nós ainda moramos sim, no mesmo lugar, eu em você e você em mim, porque ouvir que ainda me amas por mais doloroso e sofrido que possa demonstrar ser é atualmente o que mais me dá forças para viver essa sobrevida em que nos encontramos e cada vez nos afundamos mais, como em lama, areia movediça.
Só peço que venhas logo e puxe minha mão, antes que eu suma em mim e te perca de vista até mesmo dos mais leves detalhes, amor não passa, ele apenas se abriga em uma fenda bem densa chamada solidão.
Será que você já me esqueceu? Ou ainda pensa em mim como penso em você? Indago-me todos os dias por isso. Ocupo minha mente com tantos objetivos e ainda sim, tua voz vem e enlouqueço por alguns segundos. Desato a querer notícias tuas e do que anda fazendo enquanto busco meu futuro.
Talvez não penses em como fomos felizes, porém isso ainda atormenta minha mente. Saiba que penso não só nisso, pois hoje, é o que me abre caminho para viver. Sim, abrir meu baú de lembranças boas e ruins de nós dá forças. Mais estranho é como tua imagem persegue minha mente.
As vezes vozes masculinas me atraem e me deixam embebida de tesão, porém lembro que é a tua que queria ao pé do ouvido sussurrando o quanto me amas. Ainda me amas? É, virar as costas para essa pergunta não me trouxe a resposta e nem trará, mas garanto que a dúvida de como o verbo hoje é conjugado no teu coração, isso sim me entorpece, me esquenta, me derrete e faz querer te procurar.
Confio plenamente no que vivi e que isso me foi necessário para poder carregar a dor como um peso sem solução nas costas. E isso me leva as tuas costas, nem me fale nelas, consigo desenhar na mente tua silhueta e recordar com vigor de minhas unhas encravadas, rasgando a pele e tirando dor, que naquele tempo, era amor. Será que a dor de hoje pode ser chamada de amor ou é apenas uma forma de enganar e fingir que o tempo vai resolver o que não fui mulher suficiente para enfrentar?
Não é falta de coragem, menos de amor, pois se sua resposta a minha interrogativa for negativa, garanto que o amor que alimento é o suficiente para dividirmos e viver o que não foi. Ainda. Sim, ainda, te surpreendo ao dizer que ainda acredito nisso? Pois fato é que o ainda vai perdurar por tempo indeterminado. Só não sei quanto tempo, poderei suportar a falta de resposta a dúvida que machuca e enche meu coração de dor. Eu ainda te amo, e você?
Meu peito tem segredos que a própria vaidade e escuridão desconhecem. Assim, vou levando em dias sem sol e com muitas lágrimas a dor da perda em prol do ganho. Aprendendo que não é uma escolha de sim ou não, há muito mais escondido em baixo dos tecidos de um coração.
Há momentos de desespero e fúria da paixão, porém por ti não posso deixar me abater e continuo dessa forma dolorosa em que vivo. Escondida em meu próprio pranto concebendo um regozijo inexistente para esconder a realidade que mais dolente não pode ser.
Aquela história de por trás de um sorriso sempre há um sofredor escondido é válida, entretanto não posso ser fraca por mim. Em certos momentos me apresento como o mais feliz dos humanos, logo após, caio em mim e vejo que nada é além de uma esplêndida encenação.
Um rosto que não cansa de ir e voltar das lágrimas a gargalhadas, um corpo que não se chateia em cair e levantar, um peito que não desiste de apagar as mágoas e dores que sente por erro próprio. Assumo e assino um termo de compromisso em que digo que não irei mais errar, não por correção, por desistência.
Acredite que, em mim já não confio mais, com tudo, a força que não se sabe de onde sai tem nome específico e nele encontro a salvação e resposta para todas minhas dúvidas. Lembro de cada detalhe e palavra que me faz crer que é nele onde posso me apoiar e deixar viver.
Se alguém ousar perguntar onde encontro a felicidade para os dias nublados, apenas olho pro céu com a certeza de que mesmo escondido o sol ainda está lá. E mesmo em meio a lágrimas e dores, eu ainda estarei aqui, validade indeterminada e não me pergunte como conservar, ainda não descobri, apenas arrisco que carinho e amizade são bons métodos para deixar-me durar por mais tempo.
Ainda descubro o caminho certo, entrego tudo a mãos de algo maior para resolver por mim e Este saberá o que me levará a ti, se é a amizade meu melhor amigo, ou a afeição, apego, ternura e dedicação. Talvez descubra em alguns dias em que me deixo reclusa, enquanto não descubro a resposta, ando entre lágrimas e sorrisos buscando a luz na imensidão da essência, do tão idealizado e célebre amor